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4 reflexões para gerenciar talentos no pós-pandemia

A evolução da tecnologia nas últimas décadas mudou não apenas a forma de trabalhar, mas também o gerenciamento de talentos. Plataformas de videoconferência, conectividade onipresente baseada em nuvem, softwares de colaboração digital e outras ferramentas permitiram a execução do trabalho remoto com eficiência e também deram aos gestores tomadas de decisões baseadas em dados.


A sinergia entre inteligência humana e artificial está mudando os negócios. Ainda assim, foi preciso uma pandemia, com efeitos devastadores, para causar a ruptura definitiva entre o antigo e o novo. A crise imposta pelo coronavírus promete transformar a forma como se aborda carreiras e empregos após a implementação – com sucesso – do home office em escala inédita.


Em meados de março, quando a quarentena foi decretada, os talentos das empresas deixaram os prédios para trabalhar remotamente, em casa. Passados 7 meses, eles talvez não voltem mais a operar fisicamente, em função da boa adaptabilidade da maioria dos profissionais ao home office e da eficiência nas operações das organizações, que mantiveram suas entregas mesmo durante o isolamento social.


As pesquisas acerca do tema apontam para a preferência de boa parte dos profissionais para continuar trabalhando em casa. Além da segurança e do bem-estar, muitos alegam ter mais qualidade de vida. É a consolidação da era dos “nômades digitais”, na qual os colaboradores ganham a liberdade de poder atuar de qualquer lugar. Por isso, alguns pontos devem nortear a relação das empresas com os colaboradores daqui em diante:


Dar ouvidos às pessoas Pesquisa conduzida recentemente pela consultoria ManpowerGroup concluiu que a segunda preocupação dos colaboradores quando a pandemia terminar é manter a flexibilidade. A primeira é cuidar da saúde. A maioria das pessoas ouvidas relatou ter interesse em trabalhar remotamente alguns dias por semanas, mas ressaltou o desejo de ter o escritório físico como ponto de apoio para conexões humanas. É fundamental que os líderes percebam o que está em jogo: embora os colaboradores desejem ir ao escritório ocasionalmente, eles não querem se deslocar diariamente.


A construção da cultura “fora do prédio” Além do apoio incondicional da tecnologia neste novo momento, a noção da cultura organizacional também sofreu mudanças. A pandemia reforçou a necessidade de as empresas construírem vínculos fortes com pessoas e não apenas dentro dos limites físicos do escritório. Assim, onde quer que as pessoas estejam, haverá conexão entre elas e os valores que mantêm os negócios vivos e competitivos.


A equalização das reuniões O aumento de reuniões online durante o distanciamento social pode minar a produtividade e até ampliar o estresse, mas as videoconferências exercem um papel importante para finalidade coletiva: elas nivelam todos os participantes pela mesma “régua”. Nos encontros virtuais, o espaço é igual para todos (as janelas do computador), o que gera sensação de pertencimento. Quando as reuniões são conduzidas com grupos presentes fisicamente e online, cria-se a impressão de que aqueles conectados virtualmente são meros espectadores.


A queda das barreiras geográficas Uma das perguntas decisivas em processos seletivos com abrangência nacional ou até global é: “você está disposto(a) a se mudar?” Esse tipo de abordagem limita as possibilidades para talentos que se encontram em outras localidades e pode restringir o crescimento da empresa no médio e longo prazo. Afinal, há talentos que optam por escolher onde querem morar e como estão interessados em contribuir com as empresas. Seria um desperdício abrir mão de suas valiosas colaborações apenas por questões geográficas. A pandemia contribui para afrouxar as barreiras e pode indicar vantagens nessa relação nos casos em que a contribuição possa ser feita remotamente.

Via: HBR