Coronavírus: mudanças nas empresas vêm para ficar?

Foi em 31 de dezembro de 2019, às vésperas da chegada do ano novo, que surgiu o primeiro alerta sobre a disseminação de um novo vírus. A notificação emitida pela China para a Organização Mundial de Saúde comunicava uma série misteriosa de casos de pneumonia na região de Wuhan, cidade com 11 milhões de habitantes. Desde então, o Covid-19 se alastrou rapidamente, cruzou fronteiras, infectou milhares e já matou centenas de pessoas. Passados dois meses, os efeitos globais são significativos, retrato de uma sociedade altamente conectada.

Mesmo com taxa de letalidade considerada baixa (em torno de 3%) pelas autoridades, o vírus contaminou a economia. Incertezas sobre os danos potencialmente causados pelo surto deixaram investidores retraídos, afetaram as Bolsas de vários países e deixaram organizações em estado de atenção. O clima de tensão gerado pela doença já aponta previsões assustadoras: segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), uma epidemia mais intensa e duradoura pode derrubar a expectativa de crescimento mundial pela metade – de 2,9% para 1,5%.

Nas últimas semanas, a discussão sobre os impactos do coronavírus na produtividade empresarial ganhou força. Empresas que possuem cadeia de suprimentos global de alta complexidade precisaram agir rapidamente para impedir a contaminação dos negócios em larga escala. Diversificação de fornecedores, maior capacidade de armazenamento, revisão de níveis de estoque são apenas alguns dos tópicos da lista de preocupações dos líderes de grandes organizações.

No Brasil, onde casos foram confirmados e centenas estão sob análise, a tensão também se faz presente. Dentro das empresas, o receio é de que o vírus se espalhe entre a massa de colaboradores e gere problemas em esferas variadas. Medidas providenciais têm sido adotadas, como compartilhamento de boas práticas para evitar contágio, palestras de médicos e suporte para casos suspeitos. Mesmo assim, organizações têm permitido que funcionários que se sentirem desconfortáveis possam trabalhar de casa – e este é um ponto crucial da discussão.

Fato é que o receio de uma epidemia causada pelo coronavírus mudou a rotina de grandes empresas e abriu espaço para uma maior adoção do home office. Ainda que de forma involuntária e inesperada, companhias se viram obrigadas a revisar rapidamente seus processos de trabalho para se adaptar a esta nova realidade de trabalho remoto – uma realidade que funciona bem há anos no papel, mas não na prática, ainda cercada de desafios e vista com desconfiança.

Após a rápida disseminação do Covid-19 pelo mundo, a postura de gestores e departamentos de RH foi preventiva: a orientação era para que funcionários que estiveram em áreas com alta incidência da doença (especialmente na China e na Europa) evitassem contato presencial nos escritórios e adotassem meios alternativos de comunicação, através de e-mail ou videoconferência. Agora, com o vírus circulando em território brasileiro, o cenário pode mudar e tomar rumos diferentes.

Ainda é cedo para avaliar os reais impactos do coronavírus no modus operandi do mercado de trabalho, tanto no Brasil quanto no mundo. O que se sabe, por ora, como observou o site Start-se, é que podemos estar diante da “maior experiência de home office da história”, com significados e influência no dia a dia ainda em escala ainda inimaginável. Uma eventual adaptação eficiente de empresas e funcionários a novas formas de colaboração remota pode alterar os modelos de trabalho praticados hoje em dia. Sem falar nos efeitos sobre a chamada gig economy, alimentada por trabalhos temporários, sem vínculo empregatício e, muitas vezes, realizados presencialmente. Como serão afetados os mercados que dependem de presença física para operar caso o coronavírus não seja contido no curto prazo? A conferir os próximos acontecimentos.