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Semana da Mulher: no mercado de trabalho, ainda há muito o que fazer

As mulheres brasileiras ganham menos que os homens, veem o desemprego mais de perto e gastam mais tempo que eles com afazeres domésticos. Na semana do Dia Internacional da Mulher, os números levantados pelo DIEESE apontam desequilíbrio de gênero no mercado de trabalho em âmbito nacional.

Levantamento referente ao último trimestre de 2019 mostra que o rendimento mensal médio das mulheres foi 22% menor que o dos homens (R$ 1.958 contra R$ 2.495). Em nível de gestão, mais uma desvantagem. Entre outubro e dezembro, as mulheres respondiam por 4 cargos entre 10 de gerência e direção, mas o rendimento delas foi R$ 29% menor. Em média, homens ganharam R$ 40 a hora, enquanto as mulheres, R$ 29.

A gangorra se torna ainda mais desfavorável no final do dia, quando elas chegam em casa. Segundo os números coletados pelo DIEESE, as mulheres gastam quase o dobro do tempo que eles com afazeres domésticos: em média, 541 horas a mais por ano, equivalente a 68 dias de trabalho (considerando uma jornada com 8 horas ao dia).

Soma-se a este quadro um outro fator importante: os cuidados com os filhos, que, para muitas, pode significar a saída do trabalho remunerado. O estudo indica que 67% das mulheres com filhos na creche tinham trabalho remunerado; já entre aquelas cujos filhos não tiveram acesso a creche, somente 41% estavam trabalhando.

A consequência da discrepância entre homens e mulheres no mercado de trabalho se reflete também nos índices de desemprego, que é maior entre elas. Quando avaliada a taxa total de desocupação, elas respondem por 13,1% e eles, por 9,2%. E mais: 37% das mulheres desocupadas estavam à procura de emprego há mais de um ano.

Na análise nacional, os estados onde há maior diferença entre salários de homens e mulheres são: MS, PR, RS, MG, ES, MS e SC, locais em que o índice chega a 30%. Já as menores variações foram observadas na região Norte e Nordeste, com destaque positivo para AM, RR, PA, AM e AL, onde a oscilação foi de, no máximo, 9%.

Retrato do problema

Para Regina Dorriguello, diretora executiva da STATO, as empresas precisam se preparar melhor para não haver uma lacuna de carreira e, consequentemente na remuneração, geralmente causada pela maternidade. É preciso viabilizar o retorno da mulher ao mercado de trabalho após este período, dando orientações e acolhimento adequados e fazendo com que mulheres mães não sofram rupturas irreversíveis em suas construções de carreira.

“A corrida na carreira começa muito parecida para homens e mulheres, até uma determinada fase em que a disparidade começa. O anseio pela maternidade, em geral, começa por volta dos 30 anos, quando as mulheres estão formadas há 7 ou 8 anos e deveriam estar consolidando suas carreiras, galgando posições de liderança. Muitas delas encontram empresas mal preparadas para lidar com a licença maternidade, chefes majoritariamente homens, que não sabem como tratar mulheres nesta fase. Raros são os casos em que as empresas fazem algum tipo de trabalho para manter as mulheres conectadas e bem acolhidas. Na volta da licença maternidade, a mulher se sente deslocada, cheia de dúvidas e culpas, com a cabeça em casa ou na escolinha em que deixou um bebê de 4 ou 5 meses. Na grande maioria dos casos, elas são encostadas, obrigadas a se dedicarem a tarefas marginais porque são vistas como pessoas com possibilidades mais limitadas: não podem viajar, não vão se dedicar, o filho vai ficar doente, não podem ficar até tarde… Em um momento importante da vida profissional, acontece uma cisão e a mulher perde velocidade na ascensão de carreira quando comparada a homens da mesma idade. As empresas precisam pensar sobre a orientação destas mulheres durante o período de gestação, apoiá-las na criação de uma rede de apoio, acompanhá-las durante a licença maternidade e entender que ganhariam mulheres muito mais fortes e cheias de novas competências comportamentais no retorno deste período.”