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STATO entrevista: os desafios do RH durante a quarentena

O isolamento social trouxe mais do que o simples distanciamento das pessoas. A medida adotada para combater a COVID-19 forçou mudanças profundas nas rotinas das empresas e fez departamentos de RH revisaram rapidamente suas políticas de gestão.  Nesta entrevista, Letusa Albuquerque Marangom, vice-presidente de Recursos Humanos do banco Haitong, comenta os aprendizados neste período que exigiu soluções relâmpago das lideranças para manter a produtividade dos colaboradores e viabilizar a continuidade das operações. Segundo ela, o maior desafio está na “gestão das expectativas”, um tempo em que “as ações falam mais do que palavras”.

Confira abaixo o pingue-pongue realizado pela STATO com Letusa Albuquerque Marangom:

STATO – Considerando o cenário atual, em que o mundo está em quarentena e todos tivemos que aprender a nos relacionar virtualmente, como vocês estão lidando com isso e quais ações tiveram que tomar para se adequar? Letusa: Estamos lidando de forma positiva, considerando as ações que tivemos que tomar de última hora; dentre elas, a decisão de um processo de transição fracionado, no qual cada gestor, priorizou os fatores de risco e, posteriormente, as peculiaridades de cada função. Foi criado um grupo de gestão de contingência, composto pelos gestores de todas as áreas (iniciativa do CEO), a fim de monitorar este processo, não só do ponto de vista de infra, mas principalmente do ponto de vista humano.

As nossas equipes de TI (infra e segurança da informação), Facilities e RH se esforçaram para que os profissionais tivessem a estrutura necessária para uma atuação remota. TI com foco em infraestrutura (equipamentos, telefonia, uso de aplicativos e no aspecto educativo, não só no manuseio dos aplicativos para uso remoto, como também de segurança da informação); Facilities, na entrega de materiais e recursos aos colaboradores que já estavam atuando remotamente e na gestão de terceiros. Além disso, como na primeira e parte da segunda semana tínhamos poucos profissionais atuando presencialmente e parte em nosso site de contingência, a equipe de Facilities forneceu o suporte necessário, assim como o mantém neste período de isolamento.

O RH atuou no processo de comunicação contínua (informações sobre a COVID-19, dicas de ergonomia, orientações diversas, etc.) e também como ponto focal para qualquer dúvida referente ao período de contingência.

Iniciamos a transição na semana do dia 16/03 e estamos até então com 99% da equipe em Home Office.

STATO – Quais são os maiores desafios do RH e dos colaboradores? Quais orientações foram passadas às equipes? Letusa: O maior desafio do RH está na gestão das expectativas, já que o mercado de uma forma geral está parado. Diferente de algumas empresas, não tomamos nenhuma ação radical com base nas medidas provisórias que abarcam as questões trabalhistas, o que sinaliza de forma positiva uma continuidade. Em contrapartida, a análise global do contexto de calamidade pública gera incertezas, as quais estão sendo tratadas pontualmente.

As nossas ações vêm falado mais forte que as nossas palavras, pois todos os projetos que não dependem de um quadro econômico positivo estão sendo executados e adaptados ao novo contexto.

O que temos orientado e priorizado é a saúde dos nossos colaboradores (incentivando o isolamento social). Passando orientações sobre a correta assepsia, dicas de ergonomia, bem-estar, etc.

STATO – Quais foram as orientações para os líderes e colaboradores? Letusa: Isolamento; priorizar o grupo de risco; home-office para a maioria, quem neste primeiro momento não pudesse estar em home office, que mantivesse o isolamento e a assepsia necessária no ambiente de trabalho (o qual foi devidamente higienizado, para os poucos que ficaram).

STATO – Como vocês estão mantendo o relacionamento humanizado com todos em Home Office? Letusa: As ferramentas existentes e nos permitem a manutenção do contato, mesmo que à distância. Eu diria que o “humanizado” está na abordagem que fazemos e não no contato físico em si, ou seja, a nossa comunicação é humanizada e isso faz com que a abordagem seja humana. Estamos focados no indivíduo e no bem-estar dele, essa tem sido a nossa prioridade.

STATO – Caso a quarentena seja prorrogada, já pensaram em alguma ação de apoio emocional aos colaboradores? Letusa: Nós temos um canal de apoio psicológico (já divulgado para os colaboradores) nos quais todos fazem jus, por meio do nosso benefício de assistência médica.

Está em nossos planos uma abordagem direta com cada colaborador, a fim de gerenciar as expectativas, com foco neste apoio emocional.

STATO – Quais aprendizados vocês tiveram neste período? Letusa: Tudo isso reforçou o que já sabemos, mas muitas vezes esquecemos, que é a nossa vulnerabilidade humana. Um vírus mudou o mundo e a nossa forma de se posicionar frente a ele. Aumentamos o foco no outro, desejando bem-estar comum. Nos tornamos mais próximos mesmo à distância, mais humanizados e menos resistentes às novas propostas tecnológicas. Quem era resistente a uma reunião remota, agora só tem isso como opção. Quem era resistente ao home office, está tendo a oportunidade mudar suas crenças e se reposicionar em relação a isso. Estamos certos que voltaremos diferentes e bem mais flexíveis que antes.

Acesse o STATO Play e confira o Fórum de RH – O papel do RH em momentos de crise.

Sobre Letusa Albuquerque: Psicóloga clínica e organizacional, com mais de vinte anos de experiência na área corporativa em empresas nacionais e internacionais, como: Companhia de Educação, HSBC Seguros, HSBC Bank, Banco Espirito Santo e atualmente, Haitong Banco de Investimento do Brasil. Passando por áreas como: Recrutamento e Seleção, Treinamento e Desenvolvimento (Delivery e Instructional Design), Sucessão, Áreas de Relacionamento com o Cliente Interno (Business Partner) e Facilities. Psicodramatista pela PUC de São Paulo e Especialista em Terapia Cognitivo Comportamental pelo Instituto de Terapia Cognitiva. Professional & Self Coaching Certification, pelo IBC – Instituto Brasileiro de Coaching / ECA – European Coaching Association / Behavioral Coaching Institute – BCI / Global Coaching Community / International Association of Coaching – IAC e Practitioner, pela SBPNL – Sociedade Brasileira de Programação Neurolinguistica. Certificada na ferramenta de Assessment Human Guide e atualmente parte do grupo de especialização em Gestão das Emoções nas Organizações do Instituto de Ensino Albert Einstein para a certificação no Cultivating Emotional Balance. Membro Internacional da APA – American Psychological Association.