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Semana com 4 dias de trabalho funciona?

Na esteira da discussão sobre o equilíbrio entre as vidas pessoal e profissional, um tópico geralmente vem à tona: semanas de trabalho mais curtas. Quais seriam os efeitos para as empresas? E para os colaboradores? Opiniões à parte, uma organização resolveu fazer um teste e monitorar os resultados para saber se a ideia pode vingar na prática.

No início de novembro, a Microsoft anunciou ter reduzido de cinco para quatro dias úteis o expediente em seus escritórios no Japão, onde atuam 2.280 profissionais. E o resultado foi promissor: segundo a empresa, além de melhorar o clima organizacional, deixando os colaboradores mais satisfeitos, a produtividade – medida em números de vendas individuais – aumentou 40%, indicando que a experiência foi bem-sucedida.

A organização explicou que a semana de trabalho encurtada gera reuniões mais rápidas e eficientes. Neste período, os gestores recomendaram que os encontros fossem substituídos por conversas através de aplicativos de mensagens, evitando também o uso de e-mails. Com respostas mais velozes, o fluxo de trabalho ganha velocidade, permitindo o cumprimento das demandas em menos tempo. “Trabalhe pouco, descanse bem e aprenda muito”, disse o presidente da Microsoft no Japão, Takuya Hirano.

Além dos ganhos de eficiência operacional e de clima organizacional, o teste feito pela empresa revelou vantagens econômicas. Ao reduzir o tempo de operação, a empresa diminuiu o consumo de energia elétrica e evitou que os profissionais pudessem trabalhar além do horário, gerando eventuais custos trabalhistas extras. Para as pessoas, o experimento também foi um sucesso: 92% disseram ter sido impactos positivamente pelas mudanças.

O experimento realizado pela Microsoft faz parte de uma iniciativa global chamada Work-Life Choice Challenge, que tem como objetivo auxiliar os colaboradores a terem uma relação de bem-estar com o trabalho, valorizando a busca pela qualidade de vida. Não à toa este teste foi escolhido para ser feito no Japão, país onde as pessoas costumam trabalhar mais do que as 40 horas semanais habituais em muitos países.

Independentemente do local onde a iniciativa foi realizada, chama atenção o aumento significativo da produtividade alcançada pelos profissionais (40%), que foram capazes de produzir mais mesmo com um dia a menos no calendário semanal. Foco, disciplina e comprometimento: essas foram as lições retiradas da experiência japonesa. Enquanto isso, aqui no Brasil, a política do home office avança dentro das empresas. Será que estamos prontos para dar um passo adiante?