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MONDAY MORNING QUARTERBACK da COVID-19

Por Rubens Prata Jr. – CEO da STATO

Esta era uma frase que o presidente de uma grande empresa onde trabalhei, portanto, meu ex-chefe, usava quando os experts de soluções pós-fato ocorrido traziam brilhantes respostas, totalmente atrasadas, inapropriadas e empostadas de arrogância e sabedoria alheia.

Se fôssemos recorrer à literatura de negócios, poderíamos sugerir que são os descobridores dos BLUE OCEANS (Blue Ocean Strategy – W. Chan Kim | Renée Mauborgne), pós-resultado apresentado e efetivado. Ou seja, ninguém consegue apontar o verdadeiro “Oceano Azul” dos negócios, exceto o que já navegado.

Há um número gigantesco de medidas sendo tomadas e neste momento, deveríamos considerar todas acertadas, afinal, ninguém sabe exatamente o que fazer, portanto, toda ação é melhor que nenhuma ação.

A ciência normal é um conceito utilizado na obra de Thomas Kuhn e que define o período durante o qual se desenvolve uma atividade científica baseada em um paradigma. Esta fase ocupa a maior parte da comunidade científica, consistindo em trabalhar para mostrar ou pôr à prova a solidez do paradigma no qual se baseia. Segundo Kuhn (2013), o que distingue ciência de não ciência é a existência de um paradigma capaz de sustentar uma tradição de ciência normal. Por acaso, a COVID-19 pode ser tratada pela ciência normal? Em uma série dos aprendizados das gripes anteriores, poderíamos dizer que sim, e estamos fazendo isto, ou seja, correndo atrás de remédios para o tratamento e em busca da vacina para imunizar a população. Mas, do ponto de vista da gestão do sistema de saúde, a doença é totalmente inusitada, e, portanto, improvisamos a cada dia, diga-se de passagem, temos improvisado muito bem.

Há que se avaliar se estamos aplicando a ciência necessária para solucionar algo jamais visto, e sendo algo jamais visto, por que ainda aplicamos métodos e práticas baseados em experiências anteriores, que comprovadamente não se explicam nesta pandemia.

A resposta deveria ser simples: é porque não temos outro paradigma para explicar tal situação, portanto, toda resposta é boa e inovadora, se apoiada na ciência, e não na loucura de apostas e crenças individuais.

Se formos lembrar, no começo da pandemia, a própria OMS não recomendava o uso das máscaras, declarando que elas não protegeriam da transmissão.

No momento atual, a recomendação é USO PERMANENTE das máscaras.

É neste momento que surgem os ‘Monday Morning Quarterback’… ou seja, depois que alguma coisa foi testada e se tornou uma evidência, eles aparecem cobrando a medida desde o passado, sem entender que é uma experiência constante de tentativa e erro que forma a base da construção do aprendizado.

Precisamos respeitar e confiar nos especialistas. Vamos certamente viver um período pós COVID-19 em que muitas das ações e decisões tomadas serão consideradas exageradas, erradas, desproporcionais, ou por outro lado, brandas, evasivas, etc… E quem se apropriará do erro alheio para destilar sabedoria ‘post factum’ nada contribuiu e nada contribuirá para o crescimento e o avanço da humanidade.

Falando do futuro, do *novo normal* que se apresentará à toda sociedade, seria hora de aprender a ser colaborativo? Este não é um tema de disputa, de singularidade, de surfar uma onda que já se foi… é hora de agradecer a todos os esforços para enfrentar um problema de proporções inéditas, que afeta fundamentalmente o nosso jeito de ser, de conviver, de trabalhar, de planejar. Assim como na ciência normal, o nosso paradigma é o que construímos até aqui.

O *novo normal* vai demandar colaboração. E ser colaborativo não é apenas inteirar-se com os outros. Ser colaborativo é deixar a arrogância de lado, mesmo aquela conquistada após tantos anos de estudos e experiências práticas, e assumir o não saber. É entender, de uma vez por todas, a importância de se atualizar e desenvolver novas competências – mesmo que este seja um exercício diário, árduo e recomendado a TODOS. Sejamos visionários, prospectivos e assertivos. Os erros e acertos deste período, são erros e acertos de quem tentou. Para aqueles que sentarem e esperarem tudo passar para então criticar os equívocos, estes não pertencerão ao *novo normal*, seguirão fazendo parte de um público que nada contribui e deverão ser lembrados como os ‘anormais’.